sexta-feira, 5 de julho de 2013

Equipamentos de Lazer: O cinema de bairro frente ao monopólio dos shopping centers


Talvez a mágica estivesse na simplicidade. Na ficção. Na descoberta.

A volta do cinema da Fundação Joaquim Nabuco com tecnologias modernas de som faz pensar o quadro do mercado cinematográfico no Recife.

Não há magia no atual panorama dos cinemas de bairro na cidade. É difícil olhar pra trás e acreditar que um dia as pessoas iam naquele cinema da calçada, esperavam ansiosas pra ver a mocinha e o vilão emocionando em preto e branco. Arrancando risos e lágrimas de um público extremamente conservador e tradicionalista, no início do século XX. No contexto atual, lembrar da quantidade de cinemas de bairro que existiram na capital soa no mínimo estranho.

Dois curiosos fatos devem ser destacados. O primeiro é que, atualmente, ir ao cinema pode ser resumido em três palavras: coca-cola, shopping center e fast-food. O filme vem em segundo, ou terceiro plano. Afinal, muitas vezes não foi planejado sair de casa para ir ao cinema, que se torna um entretenimento secundário. Um lugar para sentar e descansar das compras. Você diz que vai ao cinema e as pessoas te perguntam “em qual shopping?”.

A culpa da queda de popularidade dos cinemas de bairro pode ser atribuída a vários fatores. Novas tecnologias (Videocassete, TV...). Comodidade dos shoppings onde se tem a ideia de encontrar tudo em um só lugar. Medo da violência nas ruas... É assim que funciona a engrenagem que move o mercado. Dura realidade, o cinema de bairro tornou-se obsoleto.

Mas o que impressiona é a aceitação do público que vai se rendendo e se lançando na rede de produções americanas que infestam as salas dos atuais cinemas (assim como as emissoras de televisão). Como se toda a produção mundial se resumisse aos Estados Unidos e um ou outro filme nacional. Claro, se existe essa oferta dos shoppings, é por que há uma demanda.

Nesse contexto de monopólio cinematográfico, onde está o público apreciador de um cinema mais democrático e de produções pautadas no enredo e não apenas em show de efeitos especiais computadorizados? (Nada contra filmes com efeitos) Será que deixaram de ir ao cinema? Será que não existem mais pessoas que apreciam a sétima arte produzida em âmbito mundial, não apenas nos EUA?

Desta forma, pensemos no segundo fato curioso, grande parte (a outra parte são elites intelectuais) do público que aprecia o cinema que outrora era tradicional, o real cinema popular, agora é considerado alternativo. Houve uma inversão de valores culturais, nada vantajosa. Tanto o cinema São Luiz quanto o cinema da fundaj (Fundação Joaquim Nabuco), no meio da cidade, estão perto do povo. Mas as pessoas preferem se locomover para os distantes cubos fechados dos shopping centers.

Agora é alternativo expandir o leque de produções e buscar filmes de outros países, é alternativo visitar o cinema que está bem no meio de sua cidade e que faz parte da própria história dela. É alternativo gostar de um filme pelo enredo e pela capacidade de emocionar e fazer refletir. O comum é o medo de ser assaltado indo ao cinema popular, é comum se limitar a produções da cultura americana. É comum trocar o ar livre da cidade pelo ar-condicionado dos shoppings. É comum trocar a pipoca da carrocinha ali na esquina pelos industrializados da praça de alimentação. É comum e popular... O contrário disso são alternativas. É alternativo.

Tudo para consumir a sensação de segurança que o shopping traz na sociedade do medo. Tudo para consumir o último lançamento. O filme antigo é ruim, é ultrapassado. Os que tratam filmes como produtos obsoletos não percebem que obsoleto mesmo é quem tem esse tipo de pensamento.

É preciso ocupar a cidade, e saber utilizar e valorizar os equipamentos de lazer oferecidos. Afinal de contas, a cidade é nossa. O Recife é nosso.

Essa semana, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco volta com produções recentes e novidades como a tecnologia digital e som dos mais modernos. Com os preços em conta (R$ 8,00 inteira e R$ 4,00 a meia entrada) segue em cartaz a estreia The Bling Ring – A Gangue de Hollywood e produções pernambucanas como O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho.

 Confira a programação completo no link abaixo:
http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=247&Itemid=227




Um comentário:

  1. Boa! Que o blog tenha muito sucesso, seguindo esse nível de postagem com certeza terá!

    ResponderExcluir